Com cerca de R$ 600 milhões em dívidas de curto prazo e um histórico de cinco safras de prejuízos consecutivos, tornou-se insustentável a situação da Unialco, sucroenergética dona de duas usinas. A companhia apresentou, na sexta-feira (13), o pedido de recuperação judicial na Vara Cível de Guararapes (SP), onde está localizada sua unidade sede.
Atualmente, as dívidas da Unialco são estimadas em mais de R$ 700 milhões e tem como principais credores os bancos Santander, Itaú BBA, Bradesco, HSBC, Natixis e HSH Nordbank, segundo apurou no jornal Valor Econômico.
A empresa é assessorada juridicamente pelo escritório Dias Carneiro Advogados.
Nos últimos anos a sucroenergética tentou vários acordos para renegociação da dívida, o mais recente selado no final de 2014, quando foi pactuado o pagamento de R$ 20 milhões de juros e a vendas das duas usinas para quitar a dívida principal. O acordo previa o pagamento de juros em duas parcelas, uma imediata, de R$ 5 milhões, e outra de R$ 15 milhões, em 2015.
Ao longo das negociações, o quadro societário da Unialco foi ajustado de forma a reduzir a quatro o número de acionistas que detêm quase 100% do negócio, liderado pelo presidente do conselho, Luiz Zancaner.
O último balanço da companhia, relativo à safra 2014/15 , mostrava um endividamento com empréstimos e financiamentos de R$ 642 milhões, em 31 de março deste ano. O valor é 17,5% superior ao registrado na temporada anterior. Além disso, havia um débito com fornecedores superior a R$ 100 milhões.

No mesmo resultado, a Unialco marcou um prejuízo de R$ 112,9 milhões, 27,6% menor que o registrado um ano antes, mas o quinto exercício no vermelho. A perda esteve atrelada principalmente à operação na usina de Guararapes, uma vez que a unidade Alcoovale, em Aparecida do Taboado (MS), registrou lucro de R$ 10,9 milhões no período.

As duas unidades do grupo possuem uma capacidade de moagem combinada de 4 milhões de toneladas de cana.
